A espera por respostas definitivas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em março de 2018, entra em uma nova e decisiva fase. O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento dos acusados de serem os mandantes deste crime que abalou as estruturas democráticas do Brasil e expôs as entranhas do crime organizado no Rio de Janeiro.
Este artigo detalha o andamento do processo na corte suprema, quem são os réus apontados pelas investigações da Polícia Federal e o que está em jogo para a justiça brasileira.
Sumário
- O Início de um Marco na Justiça Brasileira
- Quem são os Réus Acusados?
- Como Funcionará o Julgamento no STF?
- A Delação de Ronnie Lessa e as Provas
- O Legado de Marielle e a Luta por Justiça
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O Início de um Marco na Justiça Brasileira
Após mais de seis anos de investigações, reviravoltas e trocas de comando na condução do inquérito, o caso chegou à sua instância máxima. A decisão de levar o julgamento ao STF ocorreu após o surgimento de indícios fortes contra parlamentares com foro privilegiado, o que deslocou a competência do tribunal do júri do Rio de Janeiro para a Suprema Corte em Brasília.
O julgamento não representa apenas a punição de um crime brutal, mas também uma resposta institucional contra a infiltração das milícias no poder público. A Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, analisa a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Quem são os Réus Acusados?
A denúncia da PGR aponta três figuras centrais como os arquitetos intelectuais do crime. Entender quem são eles é fundamental para compreender a complexidade do caso:
1. Domingos Brazão
Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e ex-deputado estadual. Segundo as investigações, ele teria interesses diretos em travar a atuação política de Marielle em áreas dominadas por milícias.
2. Chiquinho Brazão
Deputado Federal (expulso do União Brasil) e irmão de Domingos. Sua posição na Câmara dos Deputados foi o fator determinante para que o caso subisse ao STF. Ele é acusado de atuar politicamente para proteger os interesses fundiários do grupo criminoso.
3. Rivaldo Barbosa
Ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Talvez a figura mais chocante da denúncia, Rivaldo assumiu a chefia da polícia um dia antes do crime. Ele é acusado de planejar o assassinato meticulosamente para garantir a impunidade dos executores e mandantes, utilizando a estrutura do estado para obstruir as investigações desde o primeiro momento.
Como Funcionará o Julgamento no STF?
Diferente de um júri popular comum, onde cidadãos decidem o veredito, no STF o julgamento segue um rito específico:
* Análise da Denúncia: Os ministros decidem se tornam os acusados em réus (fase já superada).
* Instrução Processual: Onde são ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além dos interrogatórios dos réus.
* Voto dos Ministros: A decisão final cabe ao colegiado da Primeira Turma (ou ao Plenário, dependendo da decisão da corte).
A expectativa é que o julgamento seja célere, dada a repercussão internacional e a robustez das provas apresentadas pela Polícia Federal após a federalização de partes da investigação.
A Delação de Ronnie Lessa e as Provas
O ponto de virada na investigação foi a delação premiada de Ronnie Lessa, o ex-policial militar acusado de efetuar os disparos. Em seu depoimento, Lessa detalhou as reuniões, as promessas de recompensa (que envolviam loteamentos ilegais de terras no Rio) e a garantia de impunidade oferecida por Rivaldo Barbosa.
Além da delação, a PGR sustenta a acusação com:
* Quebras de sigilo telemático e telefônico;
* Geolocalização dos envolvidos nos dias cruciais;
* Documentos que comprovam disputas fundiárias em Jacarepaguá.
O Legado de Marielle e a Luta por Justiça
O julgamento no STF transcende a esfera penal. Ele simboliza um esforço do Estado brasileiro em demonstrar que crimes políticos e a violência contra defensores dos direitos humanos não ficarão impunes, independentemente do poder político ou financeiro dos envolvidos.
A condenação dos mandantes fecharia um ciclo doloroso para a família de Marielle Franco e Anderson Gomes, mas também abriria um precedente importante no combate ao crime organizado que tenta cooptar as instituições democráticas.
Para a sociedade civil, o início deste julgamento é a materialização do grito que ecoou pelo mundo: “Quem mandou matar Marielle?” Agora, o Brasil está prestes a ouvir a resposta oficial da justiça.
Destaque da redação:
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