A era dos carros elétricos baratos importados está chegando ao fim no Brasil. Com a retomada gradual do imposto de importação, que atingirá seu pico em julho de 2026, o mercado automotivo nacional se prepara para um reajuste significativo nos preços. Essa medida, parte do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), visa proteger e estimular a produção nacional, mas o impacto imediato será sentido no bolso do consumidor.
Neste artigo, analisaremos o cronograma de aumento das taxas, os motivos por trás da decisão governamental e se ainda vale a pena investir em um veículo elétrico importado antes da virada definitiva da alíquota.
Sumário
- O cronograma do aumento de impostos
- Por que o governo decidiu taxar os elétricos?
- Impacto real no preço final em 2026
- A produção nacional como alternativa
- Conclusão: Comprar agora ou esperar?
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O cronograma do aumento de impostos
Até recentemente, carros 100% elétricos (BEVs) gozavam de isenção total de imposto de importação. No entanto, o governo federal estabeleceu uma retomada progressiva dessas alíquotas para frear a entrada massiva de veículos chineses e incentivar a industrialização local.
O aumento não acontece de uma só vez, mas é em julho de 2026 que a alíquota atinge o teto padrão para importados. Veja a evolução para carros 100% elétricos:
* Janeiro de 2024: 10%
* Julho de 2024: 18%
* Julho de 2025: 25%
* Julho de 2026: 35%
Para os híbridos (que misturam motor a combustão e elétrico), a alíquota de 35% também será aplicada plenamente em julho de 2026, embora a progressão inicial tenha sido ligeiramente mais agressiva.
Por que o governo decidiu taxar os elétricos?
A decisão está diretamente ligada à preservação da indústria automobilística instalada no Brasil. Com a chegada agressiva de montadoras como BYD e GWM, que trouxeram modelos tecnológicos a preços competitivos, as montadoras tradicionais pressionaram por uma isonomia tributária.
O argumento central do programa Mover é que, para gerar empregos e tecnologia no Brasil, não se pode facilitar indefinidamente a importação de produtos prontos. A taxa de 35% em 2026 serve como uma barreira comercial para forçar essas novas marcas a construírem suas fábricas em solo nacional.
Impacto real no preço final em 2026
O consumidor deve se preparar para um cenário de preços mais altos. Embora as montadoras tenham absorvido parte dos primeiros aumentos em 2024, a margem para segurar o repasse diminui conforme a alíquota sobe.
Projeções de mercado indicam que:
1. Carros de entrada: Modelos que custavam cerca de R$ 150.000 podem ultrapassar a barreira dos R$ 200.000 se continuarem sendo importados.
2. Segmento Premium: Veículos de luxo sentirão menos o impacto proporcionalmente, pois o imposto é apenas uma parte do custo, mas o valor absoluto subirá consideravelmente.
3. Cotas de isenção: É importante notar que existem cotas de importação com isenção que diminuem ano a ano até serem extintas em 2026. Ou seja, em 2026, praticamente todo carro elétrico que entrar no porto pagará o imposto cheio.
A produção nacional como alternativa
A “luz no fim do túnel” para os preços reside na nacionalização. Grandes players chineses já iniciaram movimentos para produzir no Brasil antes que a alíquota máxima de 2026 entre em vigor:
* BYD: Assumiu a antiga fábrica da Ford em Camaçari (BA) e promete iniciar a produção em breve.
* GWM: Prepara sua fábrica em Iracemápolis (SP).
Quando esses carros passarem a ser fabricados aqui, eles estarão livres do imposto de importação de 35%, o que pode estabilizar ou até reduzir os preços novamente, criando uma nova dinâmica de mercado focada em produtos nacionais.
Conclusão: Comprar agora ou esperar?
Se o seu objetivo é adquirir um modelo específico que não tem previsão de produção nacional, a recomendação é antecipar a compra. A tendência é que, até julho de 2026, os preços dos importados apenas subam.
Por outro lado, se você aposta nos modelos que serão nacionalizados (como o Dolphin ou o Ora 03), pode ser vantajoso aguardar o início da produção local, que promete manter a competitividade sem o peso das novas taxas aduaneiras.
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