Tensão entre Tarcísio e Kassab

Tensão entre Tarcísio e Kassab: Por que o PSD Pode Perder a Vice-Governadoria em SP

A política de São Paulo vive momentos de calmaria na superfície, mas de águas agitadas nos bastidores. A relação entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu Secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), tornou-se o centro das atenções para as articulações de 2026. O que antes parecia uma aliança inabalável, agora demonstra sinais de desgaste que podem custar caro ao PSD: a perda da vice-governadoria na chapa de reeleição.

Neste artigo, analisamos os motivos dessa crise silenciosa, o papel do PL e de Jair Bolsonaro, e como isso afeta o futuro político do estado.

Sumário

* A Origem da Desconfiança
* A Pressão do PL e do Bolsonarismo
* O Futuro de Felicio Ramuth
* Cenários para 2026
* Conclusão

A Origem da Desconfiança

Gilberto Kassab é, reconhecidamente, um dos maiores articuladores políticos do Brasil. Como presidente nacional do PSD, ele conseguiu um feito raro: ocupar cargos estratégicos tanto no governo de Tarcísio de Freitas (direita) quanto no governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (esquerda). No entanto, essa ambiguidade, que é a marca registrada do “Centrão”, começou a gerar desconforto no Palácio dos Bandeirantes.

A tensão entre Tarcísio e Kassab não é sobre competência administrativa, mas sobre fidelidade política. O crescimento vertiginoso do PSD nas eleições municipais de 2024, conquistando centenas de prefeituras em São Paulo, acendeu um sinal de alerta. Tarcísio e seus aliados mais ideológicos temem que o fortalecimento excessivo de Kassab o torne incontrolável ou, pior, um eventual adversário futuro.

O Peso da Máquina

Kassab controla a Secretaria de Governo e Relações Institucionais, a pasta responsável pela liberação de emendas e articulação com prefeitos. Isso lhe dá um poder imenso sobre a base eleitoral no interior, algo que o grupo mais próximo a Tarcísio gostaria de ver descentralizado.

A Pressão do PL e do Bolsonarismo

O principal vetor dessa tensão vem de fora do governo: o Partido Liberal (PL) e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para a base bolsonarista, a presença de Kassab — que mantém ministérios no governo Lula — é uma “traição” ideológica.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, já deixou claro que o partido deseja a vice na chapa de Tarcísio em 2026. A lógica é simples: se Tarcísio é o herdeiro do espólio bolsonarista, a chapa deve ser “pura” ou composta por aliados de primeira hora que não flertem com a esquerda.

Neste cenário, nomes ligados à segurança pública ou figuras de estrita confiança de Bolsonaro (como o Coronel Mello Araújo, que foi vice de Ricardo Nunes na capital) ganham força para substituir o PSD.

O Futuro de Felicio Ramuth

O atual vice-governador, Felicio Ramuth (PSD), encontra-se em uma posição delicada. Discreto e leal, Ramuth não deu motivos administrativos para ser substituído. Contudo, na política, a cadeira de vice é moeda de troca.

Se a tensão entre Tarcísio e Kassab escalar, Ramuth pode ser a primeira vítima. Para manter o PSD na base de apoio na Assembleia Legislativa (Alesp), Tarcísio poderia oferecer outras secretarias ou apoio ao Senado, mas retirar a vice-governadoria seria um golpe duro na projeção do partido de Kassab no estado.

Cenários para 2026

Existem três cenários principais desenhando-se no horizonte:

1. Chapa Pura da Direita: Tarcísio cede à pressão do PL, escolhe um vice bolsonarista raiz e isola o PSD, apostando que sua popularidade é suficiente para vencer sem a máquina de Kassab.
2. Manutenção do Status Quo: Tarcísio avalia que precisa do tempo de TV e da capilaridade do PSD, mantendo Ramuth ou outro nome indicado por Kassab, desagradando o PL.
3. Tarcísio Presidente: Se o governador decidir concorrer ao Planalto, a disputa pela vice em SP se torna irrelevante para ele, mas crucial para quem for o candidato à sucessão estadual. Nesse caso, o PSD poderia até lançar candidatura própria.

Para uma análise mais aprofundada sobre as movimentações partidárias nacionais, vale conferir as atualizações no Poder360.

Conclusão

A tensão entre Tarcísio e Kassab é um reflexo da polarização nacional invadindo a gestão estadual. Enquanto Tarcísio tenta equilibrar a entrega de obras com a manutenção de sua base ideológica, Kassab joga xadrez visando a expansão de seu partido.

O resultado desse embate definirá não apenas a chapa de 2026, mas a governabilidade de São Paulo nos próximos dois anos. Se o PSD for rifado da vice, o estado poderá ver uma reconfiguração completa de forças na Assembleia Legislativa.

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